O Encontro com Ferreira Gullar
Foi quando eu ainda trabalhava em bingo, no Rio de Janeiro, que vindo de metrô pra mais uma madrugada de trabalho,de repente eu olhei pra frente e vi - sentado a minha frente - aquela figura, de cabelos lisos e grisalhos que encobriam o rosto, de óculos, feiçao sóbria..com dois outros senhores. De imediato, tirei os fones de ouvido numa tentativa de escutar a conversa, e falavam de arte, de pintura ou modelagem...
Na ultima estaçao, quando os outros dois ja tinham descido e eu fiquei olhando para aquele senhor alto, magro ( pelo menos foi essa a impressao que eu tive) e nao lembrando do nome dele (que vergonha!!!) eu mandei a maxima:
-Com licenca, o senhor é poeta, nao é?
-Sou sim, disse ele.
-Eu sou uma pessoa interessada em poesia, e até escrevo coisas que tiveram a intençao de ser poesia, mas prefiro chama-las de "minhas coisas" - disse eu.
Se nasce poeta? - perguntei
-Um poeta nasce poeta, se interessa por poesia, estuda, aprende a escrever,e desenvolve suas ideias ate o ponto em que ele passa a viver de poesia, de se alimentar de poesia.
Entao a conversa se prolongou por alguns instantes até a despedida fria, eu tive a coragem de dizer pra ele que aquele encontro podia estar mudando a minha vida, ele apenas disse:
-Quem sabe!?
fui trabalhar em transe, pro poeta pode ter sido apenas mais um dia comum,mas pra mim, foi impressionante.
Ainda mais quando comprei um livro dele, que me deixou ainda mais perplexo diante da grandeza daquele senhor...
"Quando o poema chega, é um acontecimento inusitado, uma erupção, como um vulcão. Está tudo bem e de repente ele começa a colocar fogo pela boca." - Ferreira Gullar

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